sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A espécie humana é constituída de tal maneira que a sua “formatação” genética (instintiva) é bastante limitada. Como para as outras espécies animais, não há uma realidade pré-determinada geneticamente para a nossa espécie.
BERGER e LUCKMANN (1978, p. 70), referem que a “relação (da espécie humana) com o ambiente circunstante é mal estruturada na sua própria constituição biológica”. Por outras palavras: “A sua organização instintiva pode ser descrita como subdesenvolvida, comparada com a de outros mamíferos superiores.” Portanto, na natureza humana existe grande flexibilidade de programação relacional. Assim, a relação com o ambiente e com os factores que o prejudicam, pode ser compreendido de diferentes maneiras. É dessa percepção diversificada que nascem formações sócio - culturais distintas mesmo que os ambientes geográficos sejam semelhantes.

A história biológica da nossa espécie demonstra que sua sobrevivência depende não só do ambiente natural particular, mas também de uma ordem sociocultural específica, pré-existente ao nascimento de cada indivíduo. A criança nasce biologicamente impotente para sobreviver e se desenvolver. Para satisfazer suas necessidades básicas depende de outros.

“O período durante o qual o organismo se desenvolve até completar-se na correlação com o ambiente é também o período durante o qual o eu humano se forma. Por conseguinte, a formação do eu deve também ser compreendida em relação com o contínuo desenvolvimento orgânico e com o processo social, no qual o ambiente natural e o ambiente humano são mediatizados pelos outros significativos.” BERGER e LUCKMANN (1978, p. 73)

De acordo com esse ponto de vista, a identidade e a forma como se interpreta a realidade não é algo pré-existente ou inato, mas é fruto da socialização.

Luis Rodrigues

BIBLIOGRAFIA consultada
BERGER, Peter. Perspectivas Sociológicas: Uma visão humanística. 4 ed., Petrópolis: Vozes, 1978.
BERGER, Peter e LUCKMANN, Thomas. A Construção Social da Realidade. 4 ed., Petrópolis: Vozes, 1978.

Socialização do ambiente

A afirmação de que determinado problema ambiental é socialmente construído pode ser subscrita, num sentido amplo, por quem se interesse por áreas relacionadas com a investigação social, independentemente do seu posicionamento teórico. Ao falarmos em constructivismo social estamos a referir-nos a correntes teóricas cuja ideia central e geradora é a de que as pessoas criam activamente a sociedade.

Berger e Luckmann (1999) defendem que a sociedade é uma produção humana e o Homem é uma produção social. Para estes sociólogos, a sociedade é ao mesmo tempo uma realidade objectiva e subjectiva. É objectiva porque é exteriorizada, relativamente aos actores sociais que a produzem, e é objectivada, sendo constituída por objectos autónomos dos sujeitos sociais. É uma realidade subjectiva porque é interiorizada através da socialização.

É a definição subjectiva do problema social que se revela essencial para a existência do mesmo e como tal só esta deve ser investigada pelos sociólogos. Problemas como a poluição ambiental são exemplos de situações que só se converteram em problemas sociais quando se estabeleceu com sucesso um movimento de reivindicação que defina estas situações como problemas.

Berger, Peter; Luckmann, Thomas
1999, A construção Social da realidade, Lisboa, Dinalivro

Luis Rodrigues

Problemas ambientais / cultura

A reflexão sobre os problemas ambientais, requer uma mudança de modelo que tem como base de sustentação uma racionalidade opcional aos grandes conflitos das sociedades modernas. Esses conflitos são traduzidos pela relação difícil entre o desenvolvimento económico e a manutenção da integridade dos ecossistemas.

A mudança de paradigma está no facto de inserir a sustentabilidade do ambiente como pré-requisito do desenvolvimento. A problemática sócio - ambiental, por intermédio da visão sistémica e actuação multidisciplinar, solicita também uma mudança moral e ética a partir de uma fundamentação ecológica.

É, por isso, uma ilusão que se apresenta com o novo paradigma da sustentabilidade. O desenvolvimento deve relevar os valores, as crenças e diferentes modos de vida, sobretudo de comunidades tradicionais, configurando-se numa proposta paradigmática não só de cunho científico como também de cunho cultural.

Luis Rodrigues

Bibliografia consultada:

DANSEREAU, P. Uma preparação ética para a mudança global:
Prospecção ecológica e prescrição moral. In: VIEIRA, Paulo

A relação do Ambiente Natural com a Cultura

A relação do Ambiente Natural com a Cultura é um tema que tem vindo a ser discutido ao longo dos últimos séculos. Muitos foram os debates científicos relacionados com a compreensão desta relação, sobretudo no que tange á busca dos factores que produzem o que é especificamente humano, centrando as explicações ora em características hereditárias e instintivas ora para as características do meio ambiente em que o sujeito se insere e no peso da cultura na condição humana.

Embora já houvesse relatos descritivos de várias culturas, até meados do século XIX a Antropologia não se havia afirmado como uma ciência oficialmente reconhecida. Com as contribuições de Darwin, esta área de estudo inaugura uma nova fase de compreensão dos diferentes modos sociais de organização humana, fundamentando-se no ponto de vista que propõe a cultura como via de adaptação dos humanos na garantia e manutenção de sua sobrevivência (Titiev, 1966).

A ideia de progresso subjacente ao darwinismo, acabou por levar os antropólogos à distinção etnocêntrica entre sociedades “primitivas” e “avançadas”, como se as diferenças entre elas anunciassem indícios dos progressos da espécie humana nos modos de adaptação, através do aperfeiçoamento da cultura (Comissão Gulbenkian, 1990)

Em contraposição às teorias da utilidade e plasticidade da cultura, a perspectiva estruturalista do antropólogo Lévi-Strauss C. também representa a possibilidade de proporcionar um status maior à cultura, considerando-a com certa independência em relação à natureza. Na sua pesquisa de elementos que diferenciam entre o que é cultural e biológico, Lévi-Strauss (1976) propõe que aquilo que constitui uma regra reguladora dos comportamentos revela-se como factor cultural. Por outro lado, aquilo que se mostra constante na análise da diversidade cultural é critério para definir o natural.

A cultura é mais a expressão de uma economia de valores simbólicos do que um instrumento de garantia de melhores circunstâncias de sobrevivência da espécie.

Reserva-se à natureza, nessa óptica, o papel de conciliadora para tais processos, de modo que a cultura busca na natureza as categorias sobre as quais se assenta para organizar o espectro social.

Desde o início da modernidade, o processo civilizador leva ao constante exercício de negação da dimensão instintiva da vida humana, através da emergência da necessidade de autocontrolo como meio eficaz de regulação da vida social (Elias, 1990).
À medida que a natureza foi saturada dos sentidos que a tomam como campo de desordem, coube à razão, como atributo exclusivo humano, a tarefa de garantir a emancipação da espécie humana em relação a suas características consideradas próximas aos animais.

O indivíduo, como argumentam Sennett (1988) e Velho (1994), é uma abstracção que representa a busca de autonomia e de autenticidade, cada vez mais presente nos modos de vida ocidentais. Assim, ao descobrir o que lhe é específico, o indivíduo das sociedades ocidentais contemporâneas, consegue ter em mãos a garantia de estar além dos limites naturais, projectando-se como um ser autêntico e singular.
A investigação da emergência e características dessa singularidade mobiliza diversos campos disciplinares, entre os quais a Antropologia e a Psicologia, que se distinguem em razão da especificidade de seus objectos de estudo e dos métodos de investigação empreges. Ainda assim, é possível desenvolver um profícuo diálogo na medida em que as aproximações e distanciamentos trazem luz a um debate actual que está longe de ser encerrado, ou seja, sobre a relação do ambiente natural e cultura.


Titiev, M. (1966). Introdução à antropologia cultural (5ª ed.). Coimbra: Fundação Calouste Gulbenkian.
Comissão Gulbenkian. (1990). A construção histórica das ciências sociais, do século XVIII até 1945. Em I. Wallerstein (Org.), Para abrir as ciências sociais (pp. 13-53).
Lévi-Strauss, C. (1975). Totemismo hoje. Petrópolis: Vozes.
Lévi-Strauss, C. (1976). As estruturas elementares do parentesco.
Petrópolis, Vozes.
Elias, N. (1990). O processo civilizador (uma história dos costumes). Rio de Janeiro: Zahar Editor
Velho, G. (1994). Individualismo e cultura: Notas para uma antropologia da sociedade contemporânea (pp. 14-37). Rio de Janeiro: Zahar
Sennett, R. (1988). O Declínio do homem público: As tiranias da intimidade. São Paulo: Cia das Letras.

Luis Rodrigues

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Ameaças à Biodiversidade / Extinção da vida na Terra.

Ameaças à Biodiversidade / Extinção da vida na Terra.

Luis Rodrigues

Deixem-me alterar o discurso já viciado da responsabilidade antrópica para as ameaças à biodiversidade e, em breves linhas apresentar uma outra perspectiva. Acabei já eram 23h uma aula para aspirantes a Mestre de Pesca (Arrais de Pesca) e hoje falámos da Agulha (bússola) e da forma como, com o aparelho podemos navegar. A primeira correcção a fazer é a Declinação: um ajuste necessário para sobrepor o Norte Magnético ao Norte Verdadeiro. Basicamente, existe um desvio entre o eixo Norte / Sul e o Eixo Magnético da Terra e todos os anos este erro é corrigido porque todos os anos há alterações na propriedade magnética do “nosso” Planeta.

Vem isto a propósito porque, num impulso à Descartes, pus-me a pensar: o que pode significar a alteração de 1 grau na orientação magnética desta pequena bola suspensa no cosmos?

Na realidade tanto em relação às grandes extinções como às mais modestas, sabemos muito pouco sobre as suas possíveis causas. Mesmo pondo de parte as ideias mais loucas, acabamos por ter um número mais elevado de teorias sobre as causas das extinções do que o número de extinções. Já foram identificadas pelo menos duas dúzias de factores que poderão ter provocado ou contribuído para as extinções em massa: o aquecimento global, o arrefecimento global, as variações do nível do mar, a redução de oxigénio nos mares (anoxia), epidemias, fugas gigantescas de metano do leito dos oceanos, impactos de asteróides, meteoros e cometas, furações devastadores, erupções vulcânicas ou até mesmo solares.

A Terra já testemunhou cinco grandes episódios de extinção – ocorridos nos períodos ordovícico, devónoco, pérmico, triássico e o Cretácico.

Há 440 milhões de anos, na extinção ordovícica e na devónica há 365 milhões de anos, cada uma fez desaparecer 80 a 85 % das espécies. A triássica, há 210 milhões de anos, e a cretácica, há 65 milhões de anos, destruíram cada uma 70 a 75 %das espécies. Mas a verdadeiramente colossal foi a extinção pérmica de há cerca de 245 milhões de anos em que 95% dos animais conhecidos em registos fosseis desapareceram.

Ora, se imaginássemos a história da Terra, comprimida num dia normal de 24 horas, a vida começaria muito cedo, por volta das quatro horas da madrugada, com o aparecimento dos primeiros organismos unicelulares simples, mas depois não avança mais durante as 16 horas seguintes. Só às 20.30 é que o planeta apresenta qualquer coisa para se ver, os irrequietos micróbios e pouco depois as primeiras plantas marinhas. Vinte minutos mais tarde alforrecas e às 21h as trilobites. Ainda não eram 10 h da noite as plantas em terra e os primeiros seres terrestres. Às 22.30h o planeta já estava coberto por grandes florestas carboníferas (o nosso carvão), aparecem os insectos e meia hora depois os famosos dinossauros que não duraram mais de três quartos de hora. Faltam 20 minutos para a meia noite e começa a era dos mamíferos e nós…nos viemos 1 minuto antes de acabar o dia.

Não pretendo lançar uma nota lúgubre neste ponto, mas o facto é que a vida na Terra tem uma outra qualidade pertinente: extingue-se com facilidade e frequência. Cada uma destas transformações maciças, dependeu paradoxalmente de um importante motor de progresso: a extinção. É um fenómeno curioso, que a morte das espécies na Terra, seja, no sentido mais literal, um modo de vida. A extinção é sempre uma má notícia para as vítimas, é claro, mas parece ser uma coisa positiva para se obter um planeta dinâmico.

“ A alternativa à extinção é a estagnação” segundo Ian Tattersall, do Museu de História Natural nos Estados Unidos.

TALVEZ DEVA SUBLINHAR QUE ESTAMOS A FALAR DA EXTINÇÃO COMO UM PROCESSO NATURAL E A LONGO PRAZO. A EXTINÇÃO PROVOCADA PELO DESLEIXO HUMANO É OUTRO ASSUNTO TOTALMENTE DIFERENTE. ESSE TEMOS VINDO NÓS A FALAR.

Bibliografia consultada:

Burenhult, Goran, The First Americans: Human Origins and History to 10.000, HarperCollins, Londres, 1993

Cadbury, Deborah, TerribleLizard: The First Dinosaur Hunters and the Bird of New Science, Henry Holt, Nova Iorque, 2000

Christianson, Gale E., The Survival of Charles Darwin: A Biography of a Man and an Idea, Deadalus BooKs, Londres 1995

Easterbrook, Gregg, A Moment on the Earth: The Coming Age of Environmental Optimism, Penguin, Londres 1995

Millennium Ecosystem Assessment (2005) Causes of biodiversity change, pp. 8-10, In Ecosystems and Human Well-being: Biodiversity Synthesis. World Resources Institute, Washington, D.C.

Millennium Ecosystem Assessment (2005) What are the current trends and drivers of biodiversity change and their trends, pp. 42-59. In Ecosystems and Human Well-being: Biodiversity Synthesis. World Resources Institute, Washington, D.C.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O Valor da Biodiversidade

Luis Rodrigues

Por certo, a maior riqueza que o planeta Terra tem para nos oferecer é a diversidade de vida que o habita. Cada ser vivo é uma elaboração de um único plano original. Enquanto humanos, somos meros incrementos – cada uma de nós é um arquivo de ajustamentos, adaptações, modificações e manipulações providenciais que começaram há biliões de anos. Temos, incrivelmente, muita coisa em comum com os insectos ou com as frutas. Por certo, metade das funções químicas que ocorrem num ser vivo, são comuns a todos. “Todos diferentes, Todos iguais”. Pertencemos à vida.

Desde o alvorecer da humanidade que a espécie humana é dependente da biodiversidade. Ela oferece-lhe abrigo, tranquilidade, multiplicidade de alimentos, saúde, energia, ar, água. Na mais pequena forma de vida, pode estar a cura para uma grave doença.

No entanto, a garantir a sustentabilidade da biodiversidade, é iniciar uma reflexão que, de alguma forma e em alguns dos seus aspectos é contraditória. A mesma expressão encerra a exploração da variedade de vida e, em simultâneo, uma preocupação com a protecção dessa mesma, “variedade de vida”.

Hoje em dia, os hábitos de vida, o crescimento demográfico, o desenvolvimento económico e industrial, têm contribuído para uma utilização excessiva e irracional da natureza viva, com consequências nefastas para a biodiversidade.

Valorizar, garantir a manutenção da Biodiversidade, a sua sustentabilidade é uma máxima para a nossa espécie que, (como uma levedura alcoólica) pode ser vítima do seu próprio sucesso.

A sustentabilidade da biodiversidade deve ser compreendida nas suas diversas dimensões. Por erro, há uma tendência em atender apenas à componente biológica. Naturalmente que é importante garantir a integridade dos ecossistemas, aliás, até considero que o país mais rico deveria ser considerado o que melhor garantisse a protecção da biodiversidade e da relação harmoniosa entre as diferentes formas de vida. No entanto, a componente social e económica não deve, a este respeito, ser subestimada.

A componente social, não diz respeito apenas ao somatório das pessoas ou ao conjunto das instituições que alicerçam a sociedade, mas sim à eficiência do trabalho que desenvolvem em conjunto – à cola que as mantém unidas.

Que relação têm as instituições de ensino com esta matéria? as empresas, as associações, … a sociedade civil estará suficientemente sensibilizada para este tipo de questões?

Uma perspectiva mais alargada de capital social inclui investigação, indústria, comerciantes, autoridades, políticos e claro, os consumidores. Todos temos responsabilidades na vida da Terra e dos seus recursos. Por outro lado, a dimensão económica. Importa criar rendimento, oportunidades, garantir o bem estar material. Hoje conceitos como Business & Biodiversity são possíveis de concretizar.

Muitos recursos naturais são modernamente explorados a velocidades superiores à sua taxa de renovação, de acordo com uma atitude económica da máxima efemeridade, uma vez que se pretende maximizar o proveito económico imediato, mas não se ponderam a durabilidade da exploração nem garantem alternativas de futuro.

A conservação da biodiversidade é a única forma de conservarmos o nosso futuro.

sábado, 17 de outubro de 2009

Ano Internacional da Diversidade Biológica

Em Montreal
Lançado o Ano Internacional da Diversidade Biológica 2010
04.10.2009 - 20h02 PÚBLICO
As Nações Unidas lançaram anteontem em Montreal uma campanha mundial de sensibilização para a salvaguarda da biodiversidade, dando início às comemorações do Ano Internacional da Diversidade Biológica 2010, declarado pela Assembleia-geral da ONU.

De acordo com um comunicado da ONU, a campanha pretende “celebrar a diversidade da vida na Terra e contrariar a perda da biodiversidade no mundo”. Na verdade, o ritmo de extinções é “alarmante”, ou seja, mil vezes o ritmo que seria natural, estima a ONU. “Esta perda é causada pelas actividades humanas e estima-se que seja agravada pelas alterações climáticas”.

O tema da campanha - “A biodiversidade é a vida. A biodiversidade é a nossa vida” – sublinha o “papel crucial da natureza no apoio à vida na Terra, incluindo a nossa”.

“A protecção da biodiversidade é uma preocupação planetária que necessita de uma acção à escala local”, comentou Jim Prentice, ministro canadiano do Ambiente, presente na cerimónia. Participaram ainda no evento o autarca de Montreal, Gerald Tremblay e a ministra do Desenvolvimento Sustentável, Ambiente e Parques do Quebeque, Line Beauchamp.

“O ano 2010 será um ano de mobilização internacional em relação a este desafio global, que nos irá permitir ir mais longe nas nossas acções”, declarou Gerald Tremblay. No âmbito desta iniciativa, a cidade de Montreal criou um Centro de Investigação sobre a Biodiversidade, no Jardim Botânico, e um parque natural de 23 hectares no Monte Royal.

O Ano Internacional da Diversidade Biológica será inaugurado com eventos no Brasil e na Alemanha. Em Janeiro, a Unesco lançará uma exposição internacional, em Paris.

A Assembleia-geral da ONU de 20 de Setembro de 2010 será um evento crucial que preparará a Cimeira da Biodiversidade de Nagoya, em Outubro de 2010, onde os governos definirão os objectivos e etapas para contrariar a perda da biodiversidade.

O ano terminará em Kanazawa, no Japão, em Dezembro de 2010 com uma cerimónia que marca o início do Ano Internacional das Florestas 2011.
Artigo retirado do jornal "Público"

Biodiversidade insular

Biodiversidade insular

Grupos de ilhas são óptimos sítios para o estudo de diversos aspectos de evolução. Preservando a biodiversidade, os Açores, como qualquer grupo de ilhas, podem funcionar como um laboratório natural para o estudo de padrões de colonização, evolução e biogeografia. Na realidade, características ligadas à insularidade, acabam por ficar “tatuadas” na genética das Populações.

É possível, por isso, estabelecer comparações entre arquipélagos, com pressões humanas e histórias diferentes. A semelhança entre habitats, a distância entre ilhas ou as condições edafo-climáticas permitem a extrapolação da evolução dos ecossistemas de uma ilha para outras.

As ilhas são também locais importantes para o estudo do impacto de introduções feitas pela espécie humana.
Via internet, hoje é possível importar sementes de qualquer sítio do mundo, sem qualquer controlo. Muitas espécies têm sido introduzidas. Estas, através de várias de maneiras (desde competição directa até a introdução de novos parasitas) podem ter um papel que conduza à extinção de espécies endémicas.

Sensibilizar, assegurar a integridade dos ecossistemas deve ser uma prioridade.

Luis Rodrigues

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Lançado o Ano Internacional da Diversidade Biológica 2010

Lançado o Ano Internacional da Diversidade Biológica 2010
04.10.2009 - 20h02 PÚBLICO
As Nações Unidas lançaram anteontem em Montreal uma campanha mundial de sensibilização para a salvaguarda da biodiversidade, dando início às comemorações do Ano Internacional da Diversidade Biológica 2010, declarado pela Assembleia-geral da ONU.De acordo com um comunicado da ONU, a campanha pretende “celebrar a diversidade da vida na Terra e contrariar a perda da biodiversidade no mundo”. Na verdade, o ritmo de extinções é “alarmante”, ou seja, mil vezes o ritmo que seria natural, estima a ONU. “Esta perda é causada pelas actividades humanas e estima-se que seja agravada pelas alterações climáticas”.O tema da campanha - “A biodiversidade é a vida. A biodiversidade é a nossa vida” – sublinha o “papel crucial da natureza no apoio à vida na Terra, incluindo a nossa”.“A protecção da biodiversidade é uma preocupação planetária que necessita de uma acção à escala local”, comentou Jim Prentice, ministro canadiano do Ambiente, presente na cerimónia. Participaram ainda no evento o autarca de Montreal, Gerald Tremblay e a ministra do Desenvolvimento Sustentável, Ambiente e Parques do Quebeque, Line Beauchamp.“O ano 2010 será um ano de mobilização internacional em relação a este desafio global, que nos irá permitir ir mais longe nas nossas acções”, declarou Gerald Tremblay. No âmbito desta iniciativa, a cidade de Montreal criou um Centro de Investigação sobre a Biodiversidade, no Jardim Botânico, e um parque natural de 23 hectares no Monte Royal.O Ano Internacional da Diversidade Biológica será inaugurado com eventos no Brasil e na Alemanha. Em Janeiro, a Unesco lançará uma exposição internacional, em Paris.A Assembleia-geral da ONU de 20 de Setembro de 2010 será um evento crucial que preparará a Cimeira da Biodiversidade de Nagoya, em Outubro de 2010, onde os governos definirão os objectivos e etapas para contrariar a perda da biodiversidade.O ano terminará em Kanazawa, no Japão, em Dezembro de 2010 com uma cerimónia que marca o início do Ano Internacional das Florestas 2011.

domingo, 11 de outubro de 2009

Um património Comum / Responsabilidade Colectiva

Um património Comum / Responsabilidade Colectiva

Muitas das espécies selvagens, deslocam-se em espaços abertos, “ao sabor” dos seus instintos naturais, dos ventos ou correntes marítimas. A sua reprodução não requer qualquer interferência nem implica qualquer despesa. No entanto, o facto de se movimentarem livremente, sem qualquer controlo, obriga-nos a um outro nível de responsabilidade.

A pressão sobre os recursos naturais, a poluição, a sobre - exploração, não conhecem fronteiras, a actividade humana num sítio, pode ter consequências em sítios distantes.

A história da defesa / gestão dos recursos naturais, apesar de muitas vezes marcada por conflitos, ultimamente, cada vez mais se discutem formas de cooperação na procura de soluções comuns. Esta dependência e vulnerabilidade, face ás actividades de outrem são inevitáveis.
Assim, os recursos naturais, por serem considerados património comum, devem ser defendidos e protegidos colectivamente.

Luís Rodrigues

Desenvolvimento Sustentável

Apontamentos…

Até há pouco, o planeta era um vasto mundo onde as actividades humanas e os seus efeitos se arrumavam, muito compartimentadamente, dentro de países, de sectores (energia, agricultura, comércio) e de largas áreas de interesses (ambiental, económico, social).

O desenvolvimento sustentável, como objectivo, e a natureza inextricável do problema global ambiente/desenvolvimento põem dificuldades às instituições nacionais e internacionais, já que elas foram criadas para enfrentar preocupações estreitas e problemas compartimentados.

A resposta normal dos governos ao carácter súbito e à magnitude das alterações globais tem sido a relutância em reconhecer cabalmente que eles próprios precisam de se modificar.
Os problemas são interdependentes e interligados uns nos outros e requerem soluções que abranjam como um todo, com a participação das populações no processo.

Muitas formas de desenvolvimento, exaurem os recursos ambientais de que dependem e a degradação ambiental pode subverter o desenvolvimento social e económico. É preciso acreditar numa nova era de crescimento, baseada em políticas que alimentem e desenvolvam a base dos recursos naturais. Elevar os níveis de compreensão, influenciar as forças vivas, a sociedade civil para a importância da defesa da conservação da natureza e da biodiversidade é urgente.

Luis Rodrigues

Apontamentos…

A Biodiversidade refere-se à variedade de formas de vida na Terra, constituindo a meu ver, uma unidade do desenvolvimento sustentável. Conservar a Natureza e a Biodiversidade é manter um património com funções ecológicas, sociais, pedagógicas, lúdicas e recreativas, contribuindo para a qualidade de vida e criação de riqueza.

É fundamental que a utilização do solo nas suas diversas formas (habitação, espaços verdes, agricultura, florestas, etc.) seja feita de forma consertada com os princípios de preservação da Natureza, de forma a melhorar a qualidade de vida para todos e para Viver Melhor no Planeta TERRA.

Luis Rodrigues

Imagine-se!


Apontamentos…

Imagine-se, o mundo deixar de basear a riqueza em interesses sobretudo económicos e passar a privilegiar a diversidade das espécies e a integridade dos ecossistemas. O país mais rico seria o que melhor garantisse o respeito pela natureza e protegesse o maior tesouro, que herdamos e que o planeta pode oferecer: A Geo e a Biodiversidade.

A qualidade da nossa vida depende da conservação do espaço que nos rodeia, da beleza das paisagens, da capacidade de vivermos em equilíbrio com as demais espécies … da biodiversidade.

Biodiversidade ou diversidade biológica refere-se à diversidade da Natureza viva. Da Antárctida ao Sahara, do cume do Everest ás fontes hidrotermais, Fungos, plantas, Animais…, do mais pequeno microrganismo à grande Sequóia, o planeta oferece-nos variedade e variabilidade de organismos vivos. Um património incalculável.

Luis Rodrigues

Mais 1. de Vista

Mais 1. de vista

É mesmo isso …mais um ponto de vista.

“Reflexões de um observador da natureza”

Boa Viagem!