sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A espécie humana é constituída de tal maneira que a sua “formatação” genética (instintiva) é bastante limitada. Como para as outras espécies animais, não há uma realidade pré-determinada geneticamente para a nossa espécie.
BERGER e LUCKMANN (1978, p. 70), referem que a “relação (da espécie humana) com o ambiente circunstante é mal estruturada na sua própria constituição biológica”. Por outras palavras: “A sua organização instintiva pode ser descrita como subdesenvolvida, comparada com a de outros mamíferos superiores.” Portanto, na natureza humana existe grande flexibilidade de programação relacional. Assim, a relação com o ambiente e com os factores que o prejudicam, pode ser compreendido de diferentes maneiras. É dessa percepção diversificada que nascem formações sócio - culturais distintas mesmo que os ambientes geográficos sejam semelhantes.

A história biológica da nossa espécie demonstra que sua sobrevivência depende não só do ambiente natural particular, mas também de uma ordem sociocultural específica, pré-existente ao nascimento de cada indivíduo. A criança nasce biologicamente impotente para sobreviver e se desenvolver. Para satisfazer suas necessidades básicas depende de outros.

“O período durante o qual o organismo se desenvolve até completar-se na correlação com o ambiente é também o período durante o qual o eu humano se forma. Por conseguinte, a formação do eu deve também ser compreendida em relação com o contínuo desenvolvimento orgânico e com o processo social, no qual o ambiente natural e o ambiente humano são mediatizados pelos outros significativos.” BERGER e LUCKMANN (1978, p. 73)

De acordo com esse ponto de vista, a identidade e a forma como se interpreta a realidade não é algo pré-existente ou inato, mas é fruto da socialização.

Luis Rodrigues

BIBLIOGRAFIA consultada
BERGER, Peter. Perspectivas Sociológicas: Uma visão humanística. 4 ed., Petrópolis: Vozes, 1978.
BERGER, Peter e LUCKMANN, Thomas. A Construção Social da Realidade. 4 ed., Petrópolis: Vozes, 1978.

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