sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Ameaças à Biodiversidade / Extinção da vida na Terra.

Ameaças à Biodiversidade / Extinção da vida na Terra.

Luis Rodrigues

Deixem-me alterar o discurso já viciado da responsabilidade antrópica para as ameaças à biodiversidade e, em breves linhas apresentar uma outra perspectiva. Acabei já eram 23h uma aula para aspirantes a Mestre de Pesca (Arrais de Pesca) e hoje falámos da Agulha (bússola) e da forma como, com o aparelho podemos navegar. A primeira correcção a fazer é a Declinação: um ajuste necessário para sobrepor o Norte Magnético ao Norte Verdadeiro. Basicamente, existe um desvio entre o eixo Norte / Sul e o Eixo Magnético da Terra e todos os anos este erro é corrigido porque todos os anos há alterações na propriedade magnética do “nosso” Planeta.

Vem isto a propósito porque, num impulso à Descartes, pus-me a pensar: o que pode significar a alteração de 1 grau na orientação magnética desta pequena bola suspensa no cosmos?

Na realidade tanto em relação às grandes extinções como às mais modestas, sabemos muito pouco sobre as suas possíveis causas. Mesmo pondo de parte as ideias mais loucas, acabamos por ter um número mais elevado de teorias sobre as causas das extinções do que o número de extinções. Já foram identificadas pelo menos duas dúzias de factores que poderão ter provocado ou contribuído para as extinções em massa: o aquecimento global, o arrefecimento global, as variações do nível do mar, a redução de oxigénio nos mares (anoxia), epidemias, fugas gigantescas de metano do leito dos oceanos, impactos de asteróides, meteoros e cometas, furações devastadores, erupções vulcânicas ou até mesmo solares.

A Terra já testemunhou cinco grandes episódios de extinção – ocorridos nos períodos ordovícico, devónoco, pérmico, triássico e o Cretácico.

Há 440 milhões de anos, na extinção ordovícica e na devónica há 365 milhões de anos, cada uma fez desaparecer 80 a 85 % das espécies. A triássica, há 210 milhões de anos, e a cretácica, há 65 milhões de anos, destruíram cada uma 70 a 75 %das espécies. Mas a verdadeiramente colossal foi a extinção pérmica de há cerca de 245 milhões de anos em que 95% dos animais conhecidos em registos fosseis desapareceram.

Ora, se imaginássemos a história da Terra, comprimida num dia normal de 24 horas, a vida começaria muito cedo, por volta das quatro horas da madrugada, com o aparecimento dos primeiros organismos unicelulares simples, mas depois não avança mais durante as 16 horas seguintes. Só às 20.30 é que o planeta apresenta qualquer coisa para se ver, os irrequietos micróbios e pouco depois as primeiras plantas marinhas. Vinte minutos mais tarde alforrecas e às 21h as trilobites. Ainda não eram 10 h da noite as plantas em terra e os primeiros seres terrestres. Às 22.30h o planeta já estava coberto por grandes florestas carboníferas (o nosso carvão), aparecem os insectos e meia hora depois os famosos dinossauros que não duraram mais de três quartos de hora. Faltam 20 minutos para a meia noite e começa a era dos mamíferos e nós…nos viemos 1 minuto antes de acabar o dia.

Não pretendo lançar uma nota lúgubre neste ponto, mas o facto é que a vida na Terra tem uma outra qualidade pertinente: extingue-se com facilidade e frequência. Cada uma destas transformações maciças, dependeu paradoxalmente de um importante motor de progresso: a extinção. É um fenómeno curioso, que a morte das espécies na Terra, seja, no sentido mais literal, um modo de vida. A extinção é sempre uma má notícia para as vítimas, é claro, mas parece ser uma coisa positiva para se obter um planeta dinâmico.

“ A alternativa à extinção é a estagnação” segundo Ian Tattersall, do Museu de História Natural nos Estados Unidos.

TALVEZ DEVA SUBLINHAR QUE ESTAMOS A FALAR DA EXTINÇÃO COMO UM PROCESSO NATURAL E A LONGO PRAZO. A EXTINÇÃO PROVOCADA PELO DESLEIXO HUMANO É OUTRO ASSUNTO TOTALMENTE DIFERENTE. ESSE TEMOS VINDO NÓS A FALAR.

Bibliografia consultada:

Burenhult, Goran, The First Americans: Human Origins and History to 10.000, HarperCollins, Londres, 1993

Cadbury, Deborah, TerribleLizard: The First Dinosaur Hunters and the Bird of New Science, Henry Holt, Nova Iorque, 2000

Christianson, Gale E., The Survival of Charles Darwin: A Biography of a Man and an Idea, Deadalus BooKs, Londres 1995

Easterbrook, Gregg, A Moment on the Earth: The Coming Age of Environmental Optimism, Penguin, Londres 1995

Millennium Ecosystem Assessment (2005) Causes of biodiversity change, pp. 8-10, In Ecosystems and Human Well-being: Biodiversity Synthesis. World Resources Institute, Washington, D.C.

Millennium Ecosystem Assessment (2005) What are the current trends and drivers of biodiversity change and their trends, pp. 42-59. In Ecosystems and Human Well-being: Biodiversity Synthesis. World Resources Institute, Washington, D.C.

Sem comentários:

Enviar um comentário