segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O Valor da Biodiversidade

Luis Rodrigues

Por certo, a maior riqueza que o planeta Terra tem para nos oferecer é a diversidade de vida que o habita. Cada ser vivo é uma elaboração de um único plano original. Enquanto humanos, somos meros incrementos – cada uma de nós é um arquivo de ajustamentos, adaptações, modificações e manipulações providenciais que começaram há biliões de anos. Temos, incrivelmente, muita coisa em comum com os insectos ou com as frutas. Por certo, metade das funções químicas que ocorrem num ser vivo, são comuns a todos. “Todos diferentes, Todos iguais”. Pertencemos à vida.

Desde o alvorecer da humanidade que a espécie humana é dependente da biodiversidade. Ela oferece-lhe abrigo, tranquilidade, multiplicidade de alimentos, saúde, energia, ar, água. Na mais pequena forma de vida, pode estar a cura para uma grave doença.

No entanto, a garantir a sustentabilidade da biodiversidade, é iniciar uma reflexão que, de alguma forma e em alguns dos seus aspectos é contraditória. A mesma expressão encerra a exploração da variedade de vida e, em simultâneo, uma preocupação com a protecção dessa mesma, “variedade de vida”.

Hoje em dia, os hábitos de vida, o crescimento demográfico, o desenvolvimento económico e industrial, têm contribuído para uma utilização excessiva e irracional da natureza viva, com consequências nefastas para a biodiversidade.

Valorizar, garantir a manutenção da Biodiversidade, a sua sustentabilidade é uma máxima para a nossa espécie que, (como uma levedura alcoólica) pode ser vítima do seu próprio sucesso.

A sustentabilidade da biodiversidade deve ser compreendida nas suas diversas dimensões. Por erro, há uma tendência em atender apenas à componente biológica. Naturalmente que é importante garantir a integridade dos ecossistemas, aliás, até considero que o país mais rico deveria ser considerado o que melhor garantisse a protecção da biodiversidade e da relação harmoniosa entre as diferentes formas de vida. No entanto, a componente social e económica não deve, a este respeito, ser subestimada.

A componente social, não diz respeito apenas ao somatório das pessoas ou ao conjunto das instituições que alicerçam a sociedade, mas sim à eficiência do trabalho que desenvolvem em conjunto – à cola que as mantém unidas.

Que relação têm as instituições de ensino com esta matéria? as empresas, as associações, … a sociedade civil estará suficientemente sensibilizada para este tipo de questões?

Uma perspectiva mais alargada de capital social inclui investigação, indústria, comerciantes, autoridades, políticos e claro, os consumidores. Todos temos responsabilidades na vida da Terra e dos seus recursos. Por outro lado, a dimensão económica. Importa criar rendimento, oportunidades, garantir o bem estar material. Hoje conceitos como Business & Biodiversity são possíveis de concretizar.

Muitos recursos naturais são modernamente explorados a velocidades superiores à sua taxa de renovação, de acordo com uma atitude económica da máxima efemeridade, uma vez que se pretende maximizar o proveito económico imediato, mas não se ponderam a durabilidade da exploração nem garantem alternativas de futuro.

A conservação da biodiversidade é a única forma de conservarmos o nosso futuro.

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